Editorial Os brasileiros, em maioria, votaram por mudanças
O processo eleitoral da última eleição presidencial, mesmo sendo despolitizado e com uso do fak news, não diminui o resultado das urnas. No debate aberto travado, principalmente, nas redes sociais a população foi se auto intitulando ser de Direita ou de Esquerda. Talvez até alguns não saibam, que a “grosso modo” quanto mais de Esquerda mais o Estado é estatizante, interfere e fiscaliza na sociedade e os de Direita quanto mais de Direita for, mais o Estado é privatizante, não interfere e não fiscaliza, existe a justiça comum para tanto.
Não sendo contra-senso o grande número dos eleitores de Jair Bolsonaro apoiarem a sua decisão de fim do Ministério do Trabalho, afinal trata-se de uma instituição de 88 anos onde o Estado brasileiro vem intervindo em defesa do cumprimento dos direitos do trabalhador. No “Mais Médicos” segue a disputa ''Direita e Esquerda''. O PT, Esquerda, ao constatar uma carência de médicos brasileiros não estarem dispostos a irem nos lugares mais longínquos e os salários não serem tão atraentes assim, buscaram a parceria com Cuba. A escolha também teve um caráter de vies ideológica, já que Cuba é Esquerda e tem a maior relação de médicos por habitantes no mundo. Dos mais de 85 mil médicos cubanos, 15 mil estão em missões espalhados por 60 países. Hoje forma 10,5 mil doutores por ano (2,5 mil a menos que o Brasil, que tem população 18 vezes maior). E, desse total, 4.843 formandos são estrangeiros, que estudaram de graça. Eles vêm de 70 países, mas a metade é de bolivianos, equatorianos, mexicanos e argentinos.
A resposta de Bolsonaro, como de Direita, foi de não terminar com o programa, já que ele atende (veja quadro abaixo). Mas por também possuir viés ideologico, questionou o regime de esquerda de Cuba (veja quadro abaixo), além da qualidade profissional dos médicos cubanos. A resposta foi o óbvio, Cuba se retirou, após 5 anos, do Programa Mais Médicos, alegando condições impostas pelo futuro governo Bolsonaro não inaceitáveis. Já os eleitores de Bolsonaro consideram a medida correta e justa. Porém, depois do fato anunciado, Bolsonaro vai recorrer a medidas paliativas como a ocorrida quando uniu as pastas da Agricultura e Meio Ambiente e voltou atrás e o do Ministério do Trabalho e acabou por dar uma recuada estratégica com o anuncio vai ser “isso, isso, isso e trabalho”. Afinal, dentro da luta de Direita e de Esquerda tem que prevalecer o bom senso.
(QUADRO) Programa tem 18.240 vagas em mais de 4 mil municípios e 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI). Atende cerca de 63 milhões de brasileiros, de acordo com o Ministério da Saúde. Levantamento do governo divulgado em 2016 apontou que o programa é responsável por 48% das equipes de Atenção Básica em municípios com até 10 mil habitantes. Em 1.100 municípios atendido pelo programa, o Mais Médicos representava 100% da cobertura de Atenção Básica, de acordo com dados divulgados em 2016.
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A decisão de Bolsonaro sobre Mais Médicos repercute No centro do país a Associação de municípios pede a Bolsonaro que reverta decisão sobre o possível fim do Mais Médicos e o a Confederação de Municípios diz que fim do programa pode causar ''estado de calamidade''.
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Em Candiota o prefeito Adriano Castro dos Santos se manifestou em redes social “Com está decisão, se perde dois profissionais importantes para saúde de nosso município”, mesmo com a eminente perda no atendimento, alguns moradores saíram em defesa da justificativa do presidente eleito, aliás como em Bagé, onde são três profissionais que deixam de atender.