EDITORIAL Quebra no abastecimento de água em Bagé aguça a disparidade da informação

O problema ocorrido na segunda-feira (4) na adutora que deixou a cidade sem abastecimento demonstrou através das redes sociais e imprensa de uma forma em geral um descompasso da informação, que culminou com uma inconformidade poucas vezes vistas na última década em se tratando de conserto e o respectivo corte do fornecimento pelo Departamento de Água e Esgoto de Bagé (Daeb).
As questões de qualidade, falta de água e os rodízios feitos quando há racionamento geram muitas ressalvas e críticas. Porém, agora, um conserto que perdurou horas e criou transtornos é verdade, mas não de forma prolongada, foi tema de teorias da conspiração, fake news e manifestações de intolerância pelos grupos de WhatsApp e Facebook. E tudo repercute de forma estrondosa, seja os que atacam e os que defendem. Mas e o papel do jornalismo fica onde nesses momentos de crise? A cidade de Bagé possui uma gama importante de veículos de comunicação, é TV, Jornais Impresso ou Online, Rádios chamadas oficiais e rádios comunitárias que também buscam informar dentro do seu segmento. Porém, há aquela máxima jornalistica "de que se deve criticar, mas não ofender e elogiar, sem tão pouco bajular", tão importante como fonte confiável, checagem da informação e contraponto.
Atualmente, isso é alvo de discussão nacional: até onde tem sido respeitado a ética jornalística, frente o processo da competitividade gerada nas redações pela instantaneidade da notícia. Inclui-se aí qual a ferramenta que deve ser publicado para atrair maior abrangência de leitores. Só que na sociedade todas as variantes de uma mesma notícia é captada pelo público, inclusive os ''fake news''. E, é nesse cenário da população que acaba não usando filtro e nem checagem de credibilidade da notícia que cria ambiente perfeito para a proliferação do ''jornalismo pirata'' - aquele que a pessoa tem fontes, é curioso e possui disponibilidade em bisbilhotar, acabe abrindo um canal com a comunidade, pode ser seu próprio facebook e até com página na web para noticiar tudo que lhe chega e inclusive pode até ganhar algum dinheiro em publicidade. Por tudo isso que é visto por exemplo, um sujeito que sabe nada de jornalismo se auto intitular do seu produto se tratar de jornalismo verdade, como forma de induzir aos usuários de rede social e comunidade que os veículos de comunicação são ''chapa branca'', são tendenciosos e tudo é igual sem credibilidade. Pois que fique claro que não é tudo igual.
O jornalismo possui o seu papel em uma sociedade democrática. O fato existente hoje é de uma grande discussão sobre o futuro do jornalismo na atual universalidade tantos das plataformas, como também das ferramentas de comunicação. Abrindo sua inclusão no grande pacote de mudança que deve ocorrer na sociedade brasileira.