EDITORIAL Afinal, as leis são feitas realmente para serem cumpridas?
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Em Bagé, foi motivo de muita comemoração a Lei que proíbe a soltura de fogos de artifícios com estampido. Um detalhe, vários especialistas afirmam que, por ser produzido abaixo de pólvora, não há fogos de artifício sem estampido. Ou seja, a lei começou torta.
A motivação, além da indignação de parte da população que é contra este tipo de manifestação de comemoração, é do barulho que produz afetando de forma direta idosos, enfermos, autistas, cães e gatos, que se assustam muito com o barulho, podendo chegar até a óbito. Esta prática que já é cultural no país, mas que por interferir na vida ao próximo é proibida.
Mas em Bagé, o descaso pelas autoridades competentes, Legislativo e Executivo, para que a Lei aconteça de fato, que é possível, o passivo em desconfiar. Ora, a referida lei passou pelos tramites regimentais, passou nas Comissões da Casa, sendo aprovada em plenário e posteriormente sancionada pelo prefeito Divaldo Lara.
Então o que acontece para a lei ser desrespeita?
A madrugada de sábado para domingo em Bagé foi como se ocorresse o natal e a virada do ano pelo volume de fogos de artifícios e rojões que quebraram o silêncio da madrugada.
O pior é que sem fazer juízo de valor, se a lei é boa ou não, de tudo o que fica é que a impunidade vista na proibição de jogar fogos de artifícios com estampido, é o mesmo descaso pelo cumprimento de obrigações na fiscalização das barragens, entre outras tantas leis que vão sendo descumpridas – surgindo até a máxima “tem leis que não pegam no Brasil”.
Será que não é por isso que no país nunca se matou tanto, se roubou tanto, se serviu tanto da corrupção e os poderes judiciário, executivos, legislativos e até mesmo a imprensa são tão negligentes?
Foto: Capturada da internet