Tentativa de homicídio, foi a conclusão da Polícia Civil no caso do Bebê de dois meses

A decisão foi dada pela Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher - DEAM que concluiu as investigações sobre o crime envolvendo um bebê de dois meses, ocorrido dia 28 de janeiro no Bairro Getúlio Vargas, em Bagé.
Conforme constou no registro da ocorrência policial, no final da tarde do dia 29/01 a mãe do menino foi até a Delegacia comunicar que no dia anterior estava tomando banho e deixou ele com o pai, na sala da casa, dentro do carrinho de bebê. Quando saiu do banho o carrinho estava na rua, em frente à residência, e o pai não estava no local. A mãe levou o carrinho para dentro e quando foi pegar a criança no colo viu que ele estava tremendo e apertando as mãos, tendo uma convulsão. Ela chamou o pai e foram atrás de familiares em busca de auxílio para ir até o Hospital. Um cunhado levou-os até a UPA, onde foi constatado que a criança estava em estado de coma, com traumatismos na cabeça e em grave risco, sendo necessária a remoção imediata para o pronto socorro. Na bateria inicial de exames, foi realizada uma tomografia e o exame pericial, que constatou o traumatismo e herniação cerebral. A criança foi internada e passou a receber alimentação por sonda.
Versão do pai
O pai relatou que ao tentar tirar o carrinho para rua e, ao incliná-lo para passar, desviando de uma madeira que tinha na porta, a criança caiu pelo forro do carrinho e bateu com a cabeça. Como o menino não chorou, ele deixou o bebê no carrinho e saiu de casa para conversar com um conhecido, deixando-o sozinho em frente à residência. O pai somente falou sobre o acidente quando toda a família estava no hospital e a equipe médica e os Conselheiros Tutelares perguntaram sobre o fato.
A polícia
Conforme o Delegado Cristiano Ritta, que está investigando o caso, os depoimentos do casal foram divergentes. E, por razão das diligências que precisavam ser feitas é necessário o pedido de prisão temporária dos dois. Os médicos relataram que a criança apresentava algumas lesões já consolidadas, indicando que poderia ter um histórico de maus tratos e como as principais testemunhas eram familiares, havia risco de influência nos depoimentos.
No dia 01 de fevereiro, a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas - DRACO de Bagé, prendeu os acusados e realizou um novo interrogatório de ambos. Naquele dia também foram ouvidas diversas testemunhas e familiares. As testemunhas relataram que o pai era usuário de drogas e constantemente bebia, tendo, inclusive, agredido e ameaçado a mãe e a criança alguns dias antes. No dia do crime o pai havia consumido maconha na casa.
Os policiais apreenderam o carrinho e uma porção de maconha na residência.
Após a realização das diligências a Polícia Civil pediu que a mãe respondesse o processo em liberdade, para que pudesse dar amamentação para o bebê, que permanece internado em estado grave, mas estável.
Na tarde de desta quarta-feira (6) a Delegacia concluiu as investigações e indiciou pai e mãe por homicídio duplamente qualificado, por motivo fútil, pois a criança estava chorando minutos antes da agressão, e por meio que impediu a defesa da vítima. O crime também pode ter a pena aumentada em razão da idade da criança. O inquérito foi remetido ao Poder Judiciário.
Foto: Divulgação/PC